Uma Flor que tem raiz | DINEY DE MELO
Taynana Flor do Campo apresentou no Teatro Municipal Severino Cabral espetáculo com tradição e voz feminina

Publicado em: 2026-06-21
Veículo: Repórter Junino
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O São João de Campina Grande vai muito além dos grandes palcos do Parque do Povo. Na noite de quinta-feira (18), às 19h30, o tradicional Teatro Municipal Severino Cabral abriu suas portas para celebrar a força da mulher no forró com o espetáculo “Uma Flor que tem Raiz”, comandado pela cantora e intérprete campinense Taynana Flor do Campo.
O evento faz parte do projeto ForElas, uma ação cultural vinculada ao TRAMAS – Circulação Artística em Rede (iniciativa do RIT Território Criativo). O objetivo principal é valorizar, difundir e fortalecer a produção artística feminina dentro do universo do forró, garantindo maior protagonismo às mulheres na música nordestina.
Para Taynana, a oportunidade de levar o projeto ao palco do teatro durante o mês de junho carrega um simbolismo profundo e um sentimento de reparação histórica para artistas locais ligados ao forró tradicional. “Com certeza tem um gostinho especial. Principalmente para nós, que somos da raiz e que muitas vezes ficamos de fora da programação do São João. Inclusive isso aconteceu comigo. Eu tive esse sonho de fazer isso no teatro, fui bem recebida e ganhei esse presente. Poder apresentar em um lugar grandioso como o teatro, onde as pessoas assistem de forma segura, é um sonho realizado. Fico até sem palavras para mensurar”, desabafa a cantora.
A artista encara a apresentação não apenas como um show, mas como uma construção coletiva. “É uma missão grandiosa para mim. É pegar minhas companheiras e vir como uma verdadeira flor que vai abraçando e juntando todos os nossos trabalhos, tudo o que a gente fez como tradição e patrimônio do forró”, pontua.
A recepção do público confirmou o sucesso do projeto. Na plateia, o ator e diretor de teatro Alexandre Fialho, que acompanha a trajetória de Taynana há anos, destacou o talento da artista e a relevância do evento sob a perspectiva da acessibilidade e da inclusão.
“O espetáculo foi um show. Eu conheço a Taynana há anos, inclusive ia dirigi-la no início. Ela é uma grande artista, um talento. Essa noite para mim foi especial também pela questão da visibilidade. Eu, como PCD (Pessoa com Deficiência), hoje poder sair de casa, participar dos eventos e ser incluído diante da cultura é muito gostoso. O show dela foi lindo, foi leve. Me diverti, cantei, me emocionei, chorei, gritei… Enfim, uma noite para ficar na história”, celebrou o diretor.
Ao ser questionada sobre a responsabilidade e o sentimento de interpretar canções de figuras tão importantes, especialmente da Rainha do Forró, Marinês, uma das maiores referências da música nordestina, Taynana revela uma conexão que ultrapassa os palcos e atravessa sua trajetória pessoal.
“Muita gente diz: ‘Ela só quer ser Marinês’. E eu digo: quem me dera! Sou uma poeirinha. Para mim, é algo muito espiritual como essa mulher entrou na minha vida e modificou a minha forma de ver o forró. Ela tem tudo a ver com a minha vida. Uma mulher que lutou pelos direitos das mulheres, uma desbravadora”, conta a artista.