São João para todos | DINEY DE MELO

Camarote da acessibilidade é símbolo de inclusão nas festividades juninas de Campina Grande

São João para todos

Publicado em: 2026-06-21

Veículo: Repórter Junino

Sobre esta publicação

Muito além da música, da dança e das tradições nordestinas, o Maior São João do Mundo também se destaca pelas iniciativas voltadas à inclusão. Além de garantir o acesso físico ao evento, as ações de inclusão buscam proporcionar uma experiência completa para pessoas com deficiência, permitindo que todos possam aproveitar a programação com conforto e vivenciar essa época junina.

Entre as iniciativas estão a presença de intérpretes de Libras durante os shows realizados no palco principal, possibilitando que pessoas surdas acompanhem não apenas os anúncios e informações do evento, mas também as músicas e interações dos artistas com o público.

Outra iniciativa importante é a do camarote da acessibilidade, que funciona desde 2018 e vem sendo continuamente aprimorado, sendo um espaço preparado para pessoas com deficiência e seus acompanhantes. O local oferece uma visão privilegiada dos shows, por estar localizado próximo ao palco, e uma estrutura pensada para atender às necessidades dos usuários, permitindo que eles acompanhem as apresentações com uma equipe de segurança que auxilia nos deslocamentos e oferece suporte para que todos possam aproveitar a festa até o final.

A procura pelo camarote da acessibilidade é bastante grande e começa muito antes do início das festividades do Maior São João do Mundo. O acesso ao espaço acontece por meio de cadastro prévio e em parceria com associações voltadas às pessoas com deficiência. O espaço tem capacidade para 100 pessoas, sendo 50 vagas para o público PCD e outras 50 para acompanhantes; no entanto, a demanda costuma superar significativamente a oferta, mostrando assim a importância da iniciativa e também a necessidade de ampliar cada vez mais ações de acessibilidade dentro dos grandes eventos.

Adenise Duarte, coordenadora do camarote PCD fala sobre o projeto: “Toda noite é uma festa. Nós temos vários tipos de PCDs e a gente abraça todos com muito carinho e os deixamos muito à vontade. É incrível como eles curtem a festa, brincando e pulando, e a gente está aqui para acolher.”

Durante a visita ao camarote, foi possível enxergar a importância desse espaço na prática. Enquanto os shows aconteciam no palco principal, o público acompanhava cada apresentação com atenção e alegria, demonstrando de forma muito clara a felicidade em participar dessa experiência marcante. O envolvimento do público era tão genuíno que sequer houve coragem de interromper aquele momento para entrevistas. Bastava simplesmente observar para compreender o quanto a iniciativa faz diferença na vida de quem encontra ali um espaço de acolhimento e celebração.

Para Adenise, a existência do camarote é essencial: “A importância do camarote PCD e da acessibilidade é justamente permitir que eles participem da festa como qualquer outra pessoa. Desde a entrada até o camarote, eles encontram condições adequadas de acesso. Isso é um direito adquirido. A procura é muito grande e, com muita dedicação, tentamos acolher o maior número possível de pessoas”, destaca.

Embora iniciativas como essas representam avanços significativos, a discussão sobre acessibilidade vai além da existência de espaços reservados. Ela envolve a construção de eventos cada vez mais inclusivos, capazes de garantir que pessoas com deficiência possam participar e ocupar os espaços culturais com independência e dignidade, celebrando e construindo memórias sem que barreiras limitem sua experiência. Celebrar o São João também significa reconhecer que a cultura deve ser acessível a todos.