Para além de um palco | DINEY DE MELO
Forró pé de serra e tradição seguem encantando moradores e turistas

Publicado em: 2026-06-21
Veículo: Repórter Junino
Sobre esta publicação
Os olhos do mundo estão voltados para o Maior São João do Mundo, durante os dias de festa, milhares de pessoas lotam o Parque do Povo para acompanhar os grandes shows, prestigiar cantores famosos e vivenciar a grandiosidade que transformou Campina Grande em uma das principais referências das festividades juninas no Brasil.
No sábado (20), passaram pelo palco principal Bob Léo, Ton Oliveira, Fagner e Banda Garota Safada. Enquanto uma multidão se concentrava em frente ao palco para assistir às apresentações, outros visitantes seguiram por caminhos diferentes dentro do Parque do Povo em busca de uma experiência mais tranquila e conectada com suas tradições.
Espalhados pelo local, o palco secundário e as palhoças se apresentam como as escolhas mais adequadas para os amantes do forró tradicional. Nesses locais, a música é conduzida principalmente pelo som da sanfona, do triângulo e da zabumba, instrumentos que ajudaram a construir a identidade cultural das festas juninas ao longo das décadas. Enquanto os grandes shows atraem multidões e concentram a atenção do público, esses espaços oferecem um ambiente mais intimista, onde é possível dançar, conversar e apreciar a música de maneira mais próxima, aproximando o público dos artistas.
Para muitos visitantes, essa é justamente a principal característica que torna as palhoças tão especiais. A psicóloga Kadja Xavier, que veio do Ceará para aproveitar a programação junina em Campina Grande, afirma que prefere esses locais, pois lhe proporcionam uma experiência mais autêntica: “Eu prefiro as palhoças porque aqui encontro o forró raiz e, sem falar que é bem mais tranquilo. O palco principal é legal, mas os meus espaços preferidos são esses”, conta.
A presença desses ambientes dentro do Parque do Povo também representa uma forma de resistência cultural diante das transformações que as festas juninas vêm sofrendo ao longo dos anos. Com a expansão do evento e a inclusão de atrações de diversos gêneros musicais, parte do público acredita que alguns elementos tradicionais acabaram perdendo o seu espaço na programação principal, elementos que deveriam ser mais valorizados. Nesse contexto, as palhoças assumem um papel fundamental ao manter vivas as manifestações culturais que estão diretamente ligadas à história do São João.
O agrônomo João Macedo é uma das pessoas que enxergam essa importância. Para ele, as palhoças preservam características da cultura popular nordestina. “Eu prefiro as palhoças. É mais original, uma expressão mais verdadeira da cultura e do povo, algo mais pé no chão. Acho que existe uma descaracterização muito forte no palco principal, porque acaba não tendo a essência da expressão cultural popular. Se perde esse contato mais real, essa representação mais autêntica do São João e das festas juninas”, destaca.
Além de fortalecer a tradição do forró pé de serra, esses espaços também cumprem um papel importante na valorização dos artistas regionais. Muitos músicos encontram ali, nas simples palhoças, uma oportunidade de apresentar e divulgar seu trabalho para turistas e moradores, mantendo a chama da cultura tradicional viva e conseguindo viver de sua arte da melhor forma.
Outro aspecto que chama bastante atenção é a diversidade de pessoas que ocupam esses espaços. Entre turistas, moradores, jovens e idosos, é comum encontrar famílias inteiras compartilhando a pista de dança. Casais arriscam passos de forró, grupos de amigos se reúnem ao redor dos músicos e turistas de diferentes regiões do país têm a oportunidade de conhecer uma face mais tradicional da festa. Em casos mais curiosos, encontram-se também personagens únicos e marcantes, envolvidos pela música das palhoças que, ao mesmo tempo, mostram o seu trabalho e também aproveitam a festa com bastante humor e paixão pela época.