Magnólia Lucena | DINEY DE MELO

A força de uma mulher e o sabor de uma história

Magnólia Lucena - Diney de Melo

Publicado em: 2025-06-27

Sobre esta publicação

Desde o instante em que ouvimos o primeiro acorde de “Magnólia”, de Jorge Ben Jor, fomos tomados pela sensação de que ali havia não só uma mulher, mulher, mas um sopro de renascimento vindo junto com a primavera. Na canção, o narrador veste-se de branco, aguarda-a chegar numa nave dourada, janelas de cristal e forro de veludo rosa — um quadro tão mágico que parece suspender o tempo. Essa aura de promessa e transformação nos transporta diretamente para a história de uma mulher real que também renasce todos os dias: a vendedora de pastel que leva o mesmo nome da canção.

Assim como na música, sua chegada é anunciada pelo frescor do vento e pelo tilintar da rotina. Com a voz carregada de fé e suor, ela se firma diante da fritadeira, seja na antiga lanchonete ou hoje, no reboque em frente à UEPB. Sua trajetória é um roteiro de superação onde o aroma do óleo quente e o recheio generoso traduzem a esperança que ela cultiva diariamente.

Raízes e primeiros passos

Nascida em 4 de novembro de 1974, no distrito de Santana, em Gado Bravo (PB), ela cresceu em uma família batalhadora, que desde cedo ensinou o valor do trabalho. Aos 7 anos, mudou-se com a família para Campina Grande. A mãe, Laurinete, foi à frente e abriu uma pequena barraca que depois virou mercearia; o pai vendia queijos nas feiras da cidade.

Ainda criança, já ajudava nas vendas de frango e picolé pelas ruas. Aos 10 anos, conheceu a feira de perto, levada pelo pai, mas o ambiente agitado a incomodava. Foi nesse contexto que o espírito empreendedor começou a se formar, embora só florescesse anos mais tarde.

A virada de chave

A mudança de rumo veio há 20 anos, após oito meses de desmotivação com o trabalho na feira. Foi quando decidiu investir em um reboque para vender lanches. A primeira tentativa de ponto falhou, mas ao se instalar na esquina de casa, na rua Castro Alves, tudo mudou. No primeiro dia, já conseguiu pagar a prestação do veículo apenas com a venda de pastéis.

O ofício culinário é uma herança familiar. A mãe foi pioneira em criar receitas em tempos sem internet, e três dos cinco irmãos também seguiram na gastronomia. Durante anos, ela manteve uma lanchonete no bairro José Pinheiro, preparando os produtos durante o dia e vendendo à noite — uma rotina exaustiva que a afastava da convivência familiar.