A arte que move a vila: Mãos que fabricam parte do São João em Campina Grande | DINEY DE MELO

Artesãos da Vila do Artesão vivem expectativas e desafios no São João de Campina Grande

A arte que move a vila: Mãos que fabricam parte do São João em Campina Grande

Publicado em: 2025-06-02

Veículo: Repórter Junino

Sobre esta publicação

Entre fitas, tecidos, madeiras e mãos talentosas e cheia de afeto, a Vila do Artesão, em Campina Grande, vai se moldando para mais um São João. O que para muitos é tempo de festa, para os artesãos é tempo de trabalho intenso e a oportunidade de que suas artes tenham maior visibilidade. A festa junina ganha novos sentidos e vai muito além do palco principal.

No coração da Vila, entre peças e chaveiros que contam histórias, Maria Fernandes, 61, cuida do chalé que carrega a memória viva de sua irmã, Carleuza Rodrigues de Souza.

Maria chegou a Campina ainda adolescente, aos 14 anos, vinda do interior. Mas foi Carleuza quem trilhou um caminho marcante no artesanato local: mulher com mãos habilidosas, era presença constante nas associações da vila, sempre envolvida nas decisões coletivas e na valorização do trabalho artesanal.

Há cerca de três meses, a Vila perdeu uma de suas vozes mais queridas: Carleuza faleceu em decorrência de problemas cardíacos. Desde então, Maria assumiu o ponto: “Tô aqui mais pra manter o que ela deixou”, conta Maria. Com carinho, ela organiza e vende as peças feitas pela irmã.

Ela diz que o movimento ainda não está intenso, mas a expectativa é que o fluxo de visitantes aumente no dia 2 de junho, quando começa a chegada dos turistas na cidade. Até lá, Maria segue firme, ocupando aquele espaço com respeito e saudade.

A artesã Lourdes Cantalice, 64, descreve: “As expectativas são grandes, não sabemos como irá ser, mas passamos o ano inteiro criando expectativas para o mês de junho! Esse ano está bem organizado”. Em seu chalé existe variedade em peças de madeiras que são revenda e produção própria.

Aelson Domingos, 45 anos, é campinense nato. Ele e a mãe são artesãos, e foi após a pandemia que ele passou a ajudá-la no chalé, acabou se apaixonando pelo ofício e hoje é artesão de carteirinha. Chega ao São João cheio de expectativa: “É um mês de festa grande, que atrai turistas de todos os cantos. Estamos de braços abertos e preparadíssimos pra vender. Que as vendas sejam ainda melhores que no ano passado!” Ele elogia a organização do evento: “Ornamentação, segurança e estrutura estão de parabéns.” E reforça: “O artesanato não é só no São João, é o ano inteiro.”

Juliana Medeiros, 36, ajuda a dona do Atitude Artesanato e descreve as suas perspectivas: “A expectativa para o artesanato é a melhor possível, pela cultura, por ser feito a mão, por ser produtos exclusivos…”. Segundo Juliana, desde o sábado (28) que ocorreu a abertura da Vila, as vendas aumentaram. No chalé existe variedade em tapetes, necessaires, bolsas, máscaras de olho, almofada, capa de bíblia, que são todas as peças de produção própria.